ALGARAVÁRIA
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quarta-feira, abril 12, 2006
Partir da água


[Fazer água II]


1.

Ralo do orvalho à brisa,
o sol sujo,
a luz de salsugem
nas sobras do corpo.

A pele achacada pelo sol:
quase um charque.


2.

No fim do dia,
a carne salgada procura o mar
como se ele fosse uma boca.

A alga nos cabelos,
os cabelos de alga se contentam
com os poros finos da pele do chuveiro,
dardos de frio.

A água economiza o caminhante.


3.

Aceito imitar mármore de fonte, canto.
Tenho alegria na voz,
dissolvo o alfabeto a cada som.

Canto no banho,
a água me ensina a ser partitura.


4.

Minha música não erra,
minha alegria é o erro.

Quando o chuveiro se fecha,
arremessado beijo arrependido,
não cogito o que perdi.

Sei que sou ralo, e me basto.

Carlos Besen
(8) no algaravial

 

 

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