ALGARAVÁRIA
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terça-feira, abril 11, 2006
saIvada segunda

Atadura, solidão, aí não é raso


aquela era a minha barriga queimada
a minha briga sem porta nem faca
a flor contida em branco
a peste e a amora.

aquela era a minha vadia travando os dentes
a ponta do dia num traço cravado a facão
aquela era a minha barriga queimada
silêncio, morram todos.
Botar o mundo do lado de lá.

Quando eu era pequena já sabia que teria que fechar a casa,
mas por enquanto eu ainda era salva
por toda a fome fervente que a pele pudesse agüentar.
E um jardim com pernas, e as rosas falhadas, e as pedradas
marcando a água, e a televisão lá longe falando pela nossa nudez
e um silêncio que aos 13 anos não faz.

Na hora do chocolate, eu acordei, aquela era a minha barriga queimada.
Porque a gente é criança, e aprende melhor quando o brinquedo é colorido
ou quando dói.

francieli spohr
(9) no algaravial

 

 

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