ALGARAVÁRIA
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terça-feira, maio 02, 2006
saraIvada Cinco

Soneto da ordinariedade

No alto, eu sou um grande vagabundo com os sapatos certos,
emprestados e sem lustro.
Lá embaixo eu fico alto e perco o sujo,
santo em banco de terra, mas
sem direito ao pequeno e ao furdunço.

Para o meio, pernas demais, peito de menos.
Ta vindo ainda, ta vindo o dia inteiro,
janeiro engolindo os ossos de dezembro.
Nem só de cinza ou sabonete, faz-se joio do centeio.
Para o meio, coração demais, espelho pequeno.

De dia, eu sou a sombra mais cotada, uma crueldade virginal,
natureza em agostos.
Pra noite, uma putinha muito nova, um malandro atropelado,
o gato velho e a faca,
o amigo novato do dono.

No meio eu passo de um lado pro outro, eu fluo.
Como se isso existisse só pra me caber,
um buraco de avestruz com veias,
a meia mais velha que descansa mas lembra os pés
que no meio, eu sumo, furo e me fundo.

francieli spohr
(3) no algaravial

 

 

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