ALGARAVÁRIA
Home|Algarapostal|Cronópios|Orkut

quarta-feira, julho 19, 2006
Ponto e Vírgula

Poema Sociopata

aqui mais uma vez estou
e onde estaria se aqui não estivesse minha intrínseca
estrutura de intestinos junto à suas calças camisas adidas
e estigmas? consumido? cigarro garfo e faca entre dedos?
num pânico confronto de presunções que passos
algazarras avenidas
pelas geometrias de geografias de biologias de literaturas de
apostilas de histórias
surge
clandestino como esgoto bandoleiro de tiranias ante o parlamento
dos meus dentes furtando toda nascente convulsão
destas vãs palavras bêbadas no bico da boca?

este ano farei mais anos logo o ano continuará
sendo outro ano sobre a opulência de outros anos
mais uma vez - menos vezes do que se pode deve imaginar
daqui do alto do teto da cozinha
a mesa amarela
e três supostas cadeiras mancas o microondas
os vasos de vidro a prazo a geladeira Frost Free - portanto
nada espero embora esperaria

se me encontrasse repleto de encantos de cosméticos
com uma gravata de seda de flores de tantas outras cores
que não são as cores do arco-íris
que não são as cores das cores de Candim - olhando os estares das estrelas
do firmamento em Brodósqui - ou a cor das cores da cor
que não permanecem
dentro do olho do olho da pia do banheiro
mas que estão (sem reflexo)
futuramente fumegante
no palanque no discurso na praça festas comícios
comissões parlamentares de inquérito copa do mundo conspirações correios Rolling Stones


no piriririrí da urna eletrônica


"Lixo é lançado na lagoa da Pampulha tinha nome sem sobrenome ou cpf para consultas no Serasa ou SPC era somente droga
droga que tinha nome depois de ser encontrada"


dois números que somados dêem sete e seis quando multiplicados
mas que não sejam múltiplos de oito
uma verdade verdadeiramente falsa que contaremos enquanto gazeamos aula
para jogar videogame e nublar o quarto com asteriscos e tomar tubão e olhar revista de
mulher pelada
a essas altas horas baixas
aquela jovem prostituta loirinha do cemitério central
está sorrindo
com seu sorriso raiz de cinco
(dois e uns
quebrados) e o único agrado está na solvência da divergência do intervalo
da intransigência da inteligência que
entre um e outro coito trocando
vale-transportes
por salsichas e maionese
não sabe discernir entre um pingo e duas gotas

a essas tantas altas horas baixas
no sertão nordestino
um escravo ensina outro escravo (não a escrever) a ser mais um escravo
e tudo acontece na cana
no como isso isto pode alterar a ordem do fator sem que possa
assassinar o orgulho do produto interno bruto:


- José como vai?
- Venda escassa. Maria grávida, cinco meses. Onze para criar.
- Grilou?
- Trabalhar, suando dinheiro, pão na mesa. Faço quê João?
- Sei não...E agora José?

a festa acabou, a turma se foi e agora José Ezequiel Francisco Raimundo Tereza Carolina Adamastor Gilberto Bernadete Madalena Dolores Dinorá?

e agora quem se importa? o preço da gasolina quem espanta?

um drama serve nossa culpa
outra culpa sorve a nossa trama e

por estes trânsitos detentos


troam as tesouras suas
matemáticas de taquicardias

Diego Ramires
(6) no algaravial

 

 

Arquivos
Abril 2006
Maio 2006
Junho 2006
Julho 2006
Agosto 2006
Setembro 2006

 

 

Powered by Blogger

Template by Ernesto Diniz



 

eXTReMe Tracker