ALGARAVÁRIA
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quarta-feira, agosto 02, 2006
A imprópria lei do alheio


[Fazer água XV]



Aqui,

entre
mim:

se eu for personagem
de um deus,
se eu for personagem
para um deus:

peço que eu não seja
recolhido à fonte:
peço que me renegue jóia
e me conserve imitação:

peço que eu seja joio
e não estrague o pão
que volta a assar
no líquido da boca:

peço que eu seja sede
que se resolve como fome:
peço que eu continue
impróprio como nudez:

peço que me venda
a um dos seus personagens:
se eu for escritor,
valerei menos do que um livro:

peço que eu seja vendido
ao sebo do diabo:
não tenho medo
de queimar palávora:

sendo papel, que eu sirva
para arder:
imploro não ter que durar
gota à gota:

sei que a eternidade,
água,
água,
é árdua.

Carlos Besen
(5) no algaravial

 

 

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